Se os grifos podem aparecer em Faro, onde está a admiração dos barnacles poderem aparecer na Irlanda, para ajudar na pedagogia mariana a judeus?

Pois para o Geraldo de Wales não havia dúvidas. Viajando pelas paragens das míticas terras irlandesas, o clérigo historiador observou o fenómeno bem dentro de água.

«Existem pássaros chamados “Barnacles” [barnacoe] que, de uma maravilhosa forma não natural, a Natureza produz; são parecidos com gansos selvagens mas mais pequenos. Como nascem em forma de bocados de goma agarrados aos pedaços de madeira, são lavados pelas vagas. Depois, juntam-se em molhos de conchas, de modo que a pendurem os bicos como espuma agarrada à madeira e assim, num lento processo, vão adquirindo cobertura de penas e mergulham nas águas ou esvoaçam no ar livre… Eu próprio já observei com os meus olhos durante mais de mil minutos estes corpúsculos desta espécie de pássaros»

De seguida conta como os bispos irlandeses recomendavam a carne dos gansos vegetais, dada a pureza macrobiótica do animal e aproveita para doutrinar os judeus numa alegoria com a imaculada virgindade de Maria.

A primeira geração de homem que não veio de comunhão carnal – Adão e a segunda de macho sem fêmea [Eva] v.s judeus, não a negam na veneração da lei. A terceira, derivada de cruzamento de homem e mulher, a vulgar, aprovam-na e afirmam-na com a vossa barba dura. Mas a quarta, na qual a salvação é possível, de mulher sem homem, é aquela que odeiam com mais malícia, para vossa própria destruição.
O rubor da tinta, desgraçados, o vermelhão, ao menos volta para a natureza. Ela é o argumento para a fé e para a nossa convicção, pois produz todos os dias animais que não são macho nem fêmea.

É claro que não há doutrina a que não se dê uso. Para a versão judaica dos gansos kosher, conhecidos pelos rabinos desde o século XII, fazer upload aqui
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Gerald of Wales, Topographia Hiberniae, v. 47, ed.. Joseph Jacobs, The Jews of Angevin England: Documents and Records (Londres, 1893), p. 92-93.

imagem:British Library, Harley MS 4751(Harley Bestiary), Inglaterra, (Salisbury ?), c 1230-1240

ver também carneiros vegetais

olá Frioleiras, isto está um tanto parado…

beijocas

… gosto sempre do que vou lendo por aqui…

não diga disparates que isto é mais cabaret de pouca vergonha
“:OP
beijoca
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Viva Sir Francis, pois eu sei o que são essas pedras e também já as vi “ao vivo” mas não faço ideia se existem textos sobre o assunto. O mais provável é existirem. Garanto-te que se encontrar vai ser para ti.

beijocas

Não existem referências em textos antigos de meteorização esferoidal? As filhas das pedras, que nasciam do interior de rochas maiores. É um fenómeno frequente em Portugal, observável em grandes rochas graníticas. Tenho duas em casa há anos.

Ao que parece, por causa da disposição cristalina que se forma aquando da solidificação do granito, com o passar do tempo as rochas clivam em camadas esféricas o que vai desbastando a rocha inicial – no fim, sobra uma bola com poucos dm de diâmetro. Chamam-lhe cebolões, talvez por causa do tal descascar da rocha.

Na altura em que me deram a primeira pensei que fosse um projéctil de balista, porque foi encontrada perto de uma antiga vila romana. Quando me deram a segunda, encontrada perto do mesmo local, com um diâmetro diferente, comecei a achar estranho. Só mais tarde é que descobri que se trata um fenómeno natural – um belo exemplo de intelligent design posto na gaveta!

De certeza que há referências antigas a este facto, ou não?

Como eu dizia: um templo do saber. Já guardei o texto. Obrigado.

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