O papagaio que costuma estar à janela de um 1º andar aqui perto ganhou uma mania muito divertida. Apanhou o “sotaque” das velhotas do bairro e tudo o que palra sai sempre com esse tom estridente e desconcertante à maximiana, que mais parece uma intervenção urbana de rancho folclórico.
Mas o danado não se limita a conversa de mulher. Também é muito dado a apanhar os desabafos masculinos. Aquelas típicas palestras de motorista de táxi – “se fosse eu a mandar endireitava esta merda toda“- e até outras mais musculadas, quando visam a malandragem que nos atormenta. “Isto era pendurá-los todos numa árvore”! “era fazer-se como a malta fazia aos turras em África!” E isto tudo proferido sempre com a mesma sonoridade efeminada de cana rachada.
O parlapié também costuma ser acompanhado de prolífera “chuva” de cagadelas, que o bicho alimenta-se bem e não tem culpa que o tenham colocado em poleiro tão elevado.
Eu confesso, se não fosse aquela voz tão esganiçada, já me tinha dado vontade de pedir nº de telemóvel para uns servicinhos domésticos de problemas de vizinhança…

Pois, vá-se lá saber porquê, sempre que leio estas brilhantes opiniões, carregadas de experiência no terreno, não consigo deixar de recordar o paco do meu bairro.

para ouvir e voltar a ver

Queixa-se o bombyx da necrofagia em torno da querela barnabeica. Do humor a roçar a chocarrice, das justiças ou injustiças, estilos ou liberdades, considerando-se indiferente a “assuntos que apenas dizem respeito aos próprios”.

Pois acerca da historieta apenas lhe acrescento duas notas.

1- Quando se fala para a plateia não se está à espera que esta, por pudor, decida tapar os olhos.
2- Parece que o Estaline dizia que os comunistas são talhados numa matéria à parte. A minha avó, que era mais realista, garantia que não existe político feito de carne e osso como os restantes indivíduos.

Goya, Maria Luisa con Mantilla,1799

Ni asi la distingue“, Caprichos, 1799

com os pés bem abertos de muita espera en la calle

Roy Lichtenstein,Popeye, 1961. Oil on canvas, 106.7×142.2 cm
Andy Warhol, Saturday’s Popeye,1960. Acryl auf Leinwand , 108,5, x 98,7 cm

E o Castelli teve olho.

Andy Warhol,Gee Merrie Shoes (56)

Roy Lichtenstein,Step-on Can with Leg, (61)

Andy Warhol. Marilyn (67)


Roy Lichtenstein, head of a girl( 64)


head with black shadow (65)

Pensarem que as meninas não percebem nada destas coisas…
O Caguinchas que espreite aqui que vai à confiança.

Este é que é o verdadeiro Ed Wood das maminhas do soft porno!


não te fazem lembrar estes:

If you are truly wild at heart, you’ll
fight for your dreams… Don’t turn
away from love, Sailor… Don’t turn
away from love… Don’t turn away
from love.

1) Tamanho total dos arquivos de música no meu computador?

Fónix… sei lá…isso é assunto tratado entre o zé grandão e o mano-prático. Eu cá pago a conta no fim do mês. E este tramei-me com os downloads

2) Último disco que comprei:

Carmina Burana- versão original (Clemencic Consort)- por motivos de trabalho (digamos assim). Só se pedia um, por isso não digo os outros.

3) Canção que estou a escutar agora:

O diabo do juguslavos mexicanos dos anos 50 que estão no blogue (até me fartar)

4) Cinco canções que ouço frequentemente ou que têm algum significado para mim:

hummm… Dreamspeed do Anton Fier; a abertura da Força do Destino de Verdi; Ma ligne de Chance do Pierrot Le Fou; Despedi o Meu Patrão do Zeca Baleiro; Bavarian Fruit Bread da Hope Sandoval… são só 5? Pena, assim fica de fora a Musica della Máfia … a Carmen de Bizet e a Missa em Dó Maior do Mozart…

Agora não sou obrigada a passar a ninguém, pois não?

Adenda: na blogosfera, a menina Cris é a minha conselheira musical em exclusivo. (Cargo que partilha- por uma questão de antiguidade- com o meu amigo Macguffinho). Os bons conselheiros não se dispensam e convém tratá-los com todo o cuidado.

Van Gogh, Sapatos velhos com atacadores, 1886

Heidegger na Origem da obra de Arte descreve-os como “um par de sapatos de camponês”.

Sob efeito da Depressão de 36, Walter Evans fotografa estes velhos sapatos da família Floyed Burroughs


Sherrie Levine,
Mercer Street Store,
New York,1977.

Sherrie Levine comprou 75 pares em formato infantil
e vendeu-os num só dia.