Fellini, La nave va

“O simulacro nunca é o que oculta a verdade – é a verdade que oculta que não existe. O simulacro é verdadeiro”.
Eclesiastes

Claro que tu tinhas de perceber, ó rapaz.

Estes bichos caídos (neste caso é o rino da nave do Fellini) ocorreram-me quando vi que não tínhamos banqueiros voadores, mas monstros prostrados em cima destes paraisos contruídos a partir do ar.

De resto os voadores agora voam para cima. E cada vez mais depressa com o saquinho cheio.

Beijocas

(Geniais estes teus post cheios de bichos caídos. Gosto muito do teu muito ambíguo understatement)

Eu percebi, querida madrinha. E também se pode ler o meu comentário a partir daí: para o bem e para o mal. Num mundo sem bem nem mal – sem verdadeiro nem falso. O que não é bom nem é mau.

Beijocas rapaz. É isso mas eu lembrei-me até por causa do Baudrillard e é claro que estava a pensar no monstro da finança, né?

Precisamente por não ter relação com a realidade é que a substitui
e cria-se a partir de si próprio.

O simulacro não oculta a verdade nem é a mentira: o simulacro é o que não tem relação com a verdade. A cópia é uma imitação da verdade, assume-se como um derivado hierarquicamente inferior. O simulacro não é uma cópia, não tem original, está fora da hierarquia. Gosto de dizer que não tem origem, porque não tem original e não tem sentido, porque não conduz à verdade. Não vem de lado nenhum, não vai para lado nenhum. Parece a internet.

Mas a citação do Eclesiastes é muito mais bonita.

Beijocas madrinha.

Não existem monstros, zazie. Existe apenas a ingenuity of the market.

Comments are closed.