«Et enfin le sujet, c’est l’injustice prenant la figure de la justice, la sèche raison luttant contre l’inspiration, l’Illumination».


«“Tive a vontade de acreditar”, esta resposta tocou-me como a mais estranha entre outras respostas célebres. Pelo seu sentido e pelo risco que Jeanne aí assume, a fim de “limpar a s sua consciência”, frente a juízes limitados, e a uma posteridade geralmente escurecedora.

Outro prodígio, prodígio do heroísmo que pode causar admiração na nossa época: Jeanne sacrifica a sua vida ao sentido da sua vida.

[…]
Os últimos testemunhos viram Jeanne em lágrimas. Ela tinha dezanove anos. Era bela. Os Cadernos de Leonardo da Vinci dizem que a alma chora quando tem de se separar desta maravilha que é o corpo.
O rio de Rouen é o oposto do rio do esquecimento. Temendo as relíquias, deitaram as suas cinzas no Sena. Com o mesmo golpe, Jeanne tornou-se eterna».

Robert Bresson, Procès de Jeanne d’Arc.

guião em pdf

Outra coisa: há quem use a Amélie Poulin ou a Jane Campion como tabela de aferição de mau-gosto. Eu costumo pensar que há os que gostam de Bresson e aqueles que nem o merecem.

O blogue do Vítor Mácula não é o Trento. É o Ser Cristão

óh! que estupidez a minha em ter dito isso.
Claro que era para ver. Apenas para não ser o único.

Não há cegueira nenhuma- há certeza. Tenho poucas mas das que tenho não abro mão.

O Bresson é um dos maiores realizadores de sempre. É uma descoberta ímpar. A sério- precisamente porque não tem comparação com mais nenhum e nem se enquadra em qualquer movimento.

Tens para aí citações minhas de muitos realizadores mas creio que nunca disse isto de mais nenhum- no sentido de existirem obras maiores e menores.

No Bresson há uma obra- um todo- sem coisas menores- incluindo até os primeiros em que ainda usou actores profissionais mas onde já sabia o que queria fazer- outra coisa para além do “cinema”.

Beijoca

Então não vou ver. Oh que diabo, tenho de comprar um filme desses no amazon ou coisa assim. Mas já começo a ficar desconfiado, que o Amor sempre foi cego, e parece-me que tanta paixão pelo Bresson… hummm…

(muito jeitoso o blog do vitor mácula, não conhecia.)

Beijocas 😉

ahahaha

Mas, para quem não viu nenhum é um mau começo. Por várias razões, sendo uma delas por espelhar o mal estar do próprio Bresson em relação ao mundo actual. Para perceber como esse mal estar não é engagé ou datado é preciso estar atento e ver mais.
……….

Mas em relação ao Bresson não há erro nem dúvidas nem sequer opinião subjectiva ou gosto- É.

“:OP

Hum, quinta-feira passa lá o Le Diable Probalement; talvez dê para lá ir ver. Se não gostar, mando-lhe o vale postal à cobrança =P

Mas a tua pergunta não tem mesmo resposta e podia dá-la para outros realizadores.

Para o Bresson não se consegue- porque o que ele fez é um todo contínuo. E o livrinho de Aforismos Notas sobre o Cinematógrafo) é outra maravilha que quase que serve de partitura para acompanhar o seu percurso.

Xiii, que pergunta lixada, Pedro. Não sei responder- TODOS.

Ele fez 14 filmes em 40 anos e são todos geniais. Foi o maior realizador do séc. XX (ou seja- um dos maiores de sempre).

Não tem nenhum que seja falhado, começou logo como se já tivesse nascido a fazer cinema e criou uma linguagem nova. Isto é raríssimo.

Eu fiquei apanhada por ele na adolescência e quanto mais o revejo mais lhe encontro novidade.

Verdade, apanha os que ainda faltam passar na Cinemateca e depois vê os outros que já passaram.
É que só um não dá para nada. Até porque ele foi tornando aquela “escrita do cinematógrafo” cada vez mais coerente e quase que acabou a fazer “música”. E os filmes a cor são tão espantosos quantos os a preto e branco- que também foram ficando cada vez mais “brilhantes”. Vê o Balthazar; Mouchette, o Lancelot du Lac e não percas o último- o L’Argent (mas estou a tirar muito).

Não tenho muito tempo para ver filmes. Qual é o melhor filme do Bresson, zazie?

Comments are closed.