Vive-se no mundo do trabalho parcial, dos contratos a termo certo e do pluriemprego, no qual não existe uma relação estável com um único e identificável patrão. Conjuntamente, com estas mudanças deu-se o colapso da negociação colectiva e o domínio que os sindicatos exerciam sobre o processo produtivo diminuiu significativamente.
[…]
As ideologias que regiam a vida política no período pós-guerra estão obsoletas. Esta transformação foi acentuada pelo aparecimento de um novo consenso económico. Nesta novo ortodoxia foi reduzido ou marginalizado o papel que os governos nacionais desempenhavam na supervisão das suas economias domésticas através de políticas de gestão macroeconómica.
A tarefa económica centrar da governação é agora a de engendrar e implementar políticas microeconómicas que promovam uma ainda maior flexibilidade da mão-de-obra e da produção.
A corrosão da vida burguesa, como resultado da crescente insegurança no emprego, está no cerne do capitalismo desregrado. Actualmente, a organização social do trabalho está num fluxo praticamente contínuo.
[…]
O resultado das novas tecnologias de informação não é simplesmente a crescente escassez de muitos tipos de postos de trabalho menos especializados ou com menor exigência de conhecimentos, é o desaparecimento por completo de algumas profissões. Para grande parte da população, instituições tradicionalmente burguesas como as carreiras ou as vocações deixaram de existir.

O resultado é a reproletarização da grande parte da classe operária e o desburguesamento do que resta das antigas classes médias. O mercado livre parece preparado para conseguir aquilo que o socialismo nunca conseguiu — a eutanásia da vida burguesa.
Os imperativos de flexibilidade e mobilidade impostos pelos mercados de trabalho desregrados, colocam uma pressão particular nos modos tradicionais de vida familiar. Como podem certas famílias encontrar-se às horas das refeições quando ambos os pais trabalham em turnos diferentes? O que acontece às famílias quando o mercado de trabalho obriga ao afastamento dos pais?

John Gray, Falso amanhecer, Gradiva, 2000 (False Dawn, 1998)

[em boa hora o Dragão o recomendou].

Olha quem ele é. Seja bem aparecido.

E boa Páscoa acompanhada de beijoca.

Recomendo também o livro «Sobre Humanos e Outros Animais», John Gray, ed. Asa.

É mesmo de ler, Frioleiras.

Beijocas

como eu concordo com este post…………
como eu concordo com este teu último comentário!!!

Este é um livro imprescindível e completamente insuspeito.

E deixa em cacos a utopia liberal da globalização, precisamente porque a origem iluminista do comunismo e do liberalismo é a mesma.

Por cá temos disso tudo graças aos internacionalistas ex-comunistas a querer mostrar obra aos seus ex.
A africanização por eles levada a cabo é a maior tragédia que se abateu sobre portugal desde a morte de Salazar.

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