O Simeão, santo Louco de Emessa, não é o Simão Estilista, mais conhecido na versão de Buñuel ou na dos Monty Python.


É só para não haver engano; que o Louco viveu um bom século depois.

E, segunda conta Juan Mosco (El Prado), estilistas até existiram vários. Dois deles tinham coluna a distância de cerca de dez kms; um em Cilícia; o herético na aldeia de Casidora.
O que seguia uma seita de Severo (e estava há mais tempo nem cima da coluna), tentava converter o ortodoxo, mas este simulou que ia na conversa e acabou por fazer tal milagre com uma hóstia que o rival perdeu clientela.

Também consta que houve estilista rebelde, em Hierápolis. Este seguia a heresia de Severo e dos acéfalos (as raças fantásticas, continuavam activas por aquelas bandas).

O rebelde deixou de o ser, depois de um fervoroso católico ter prometido que o trazia ao bom caminho.

Para tal, aceitou o desafio do rebelde que lhe propôs fazerem os dois uma fogueira e saltarem lá para dentro. Aquele que saísse ileso era o que professava a verdadeira fé.
O patriarca, não só aceitou o desafio, como mandou tratou de acender a fogueira aos pés da coluna, gritando para o herético descer e vir enfiar-se nas brasas.

Aí o estilista, por muito treino de alturas que tivesse, assustou-se com a segurança térrea do patriarca. Este, não fez mais nada. Atirou com o pálio para dentro da fogueira, orou e conseguiu que retirá-lo sem uma chamuscadela.

O estilista rebelde converteu-se imediatamente à Igreja Apostólica.
Não sabemos é se continuou lá por cima.

{post dedicado ao CC}

  • Imagem: Cenas da vida de Simão o estilita, [fol. 2.v do código do mosteiro de Esfigmenu, monte Atos (séc. XI?), in, Historias bizantinas de locura y santidad (op. cit).

…………..
Acrescento: a pedido de várias famílias, cortei um “s” à coluna do Simeão, deixando o “estilista-alfaiate” para próximo post.

Veja aqui como o Vitruvio explicava a beleza pelas proporções, relacionando-as com o corpo humano e as colunas dos templos. Capítulo (2 e 3)

De qualquer forma, se estou errada, devo-o a ter aprendido assim com um tradutor do Vitruvio.

E há mais termos relacionados com o étimo grego da coluna- como peristilo os peristilos= com colunas à volta.

Mas reconheço-lhe razão na natural necessidade de separar os termos, embora por razões contrárias.

Veja aqui .

Esse estilete servia para se escrever- para traçar linhas. E era em função da curvatura da linha que a pose era “bela”. Todos os cânones do corpo humano se baseavam nessa torção- nessa linha em “S”- que não deveria ser hierática, nem excessivamente curvilínea.

Pelo contrário- as colunas eram rígidas- direitas- apenas com a dilatação- a êntasis.

Por isso tem um étimo relacionado com o estilete da escrita- o latino- que depois se desenvolve em serpentina estética” e o outro com a coluna grega- que se mantém como termo técnico na arquitectura.

Mas ainda havia outra questão-

A alteração do sentido do termo que deriva de coluna fazia-se para não se confundir com o termo estilista de moda, actual?

E sabe a partir de quando esse termo se popularizou? o dito estilista “fashion”.

O estilista do séc. XVIII era o alfaiate e o queer dos penteados à macaroni- e o Hogarth até foi o primeiro a exemplificar o termo (queer- com esse sentido de aperaltado) e a juntá-lo ao alfaiate.

Por acaso até ia fazer um post a esse propósito porque até acho que ele foi mais longe no caso do dito “alfaiate”.

Hajapachorra,

Se ler mais atrás, pode reparar que eu acrescentei essa informação- a que deriva do étimo latino.

Mas, nesse caso então é que seria mais amaricado- porque o sentido latino prendia-se com o estilete da escrita, com as artes- ou seja, com o actual estilista.

Por outro lado, o que significa o estilóbato e o estereóbato nos templos?

Ainda hoje é esse termo que se usa em arquitectura.

E como eram classificadas as ordens arquitectónicas que os romano vão copiar dos gregos?

Abç

Zazie, ao lado, muito ao lado. Stilus é latim mas provém de uma raiz sti- (que aparece por exemplo em stimulus ou no ingl. stick) que nada tem a ver com a raiz do grego stylos que deriva do radical de histemi. Portanto, stilus significa aguilhão, qualquer instrumento com ponta afiada e stylos quer dizer coluna, pilar, qualquer coisa que suporta, que aguenta de pé (histemi, estar de pé, pôr de pé, estar parado, especado). Stylos pode relacionar-se com o verbo latino stare (estar de pé, stand no teu ‘latim’) não com stilus. Tudo isto para dizer que é um disparate chamar estilista a S. Simão Estilita, porque embora o gajo tivesse estilo não fazia questão disso; ficou conhecido foi pelo pilar (sem ponta aguçada obviamente). O estilista não vem ao caso portanto: é latim, embora o sufixo seja grego, e chega por via francesa. É amaricado sem dúvida e insultuoso para quem obrava do alto de uma coluna de 28 metros.

ahahahahahaha

Que boca tão gira.

E sabes que um alfaiate gay já o era no século XVIII?

Pois é. Imagina que até era assunto que ando a tratar e estava a pensar aproveitá-lo para post.

É que esse alfaiate do Hogarth é muito curioso e tenho a ideia que ainda pode ir mais longe- e mais não digo que é coisa tão actual que nem v.s imaginam.

Beijoca

caro CC – estive quase para retorquir que “alfaiate gay” é um pleonasmo, mas depois lembrei-me de alguns velhos alfaiates que há muito tempo me fizeram os primeiros fatos e pensei que, pior do que uma injustiça, seria falso.

Não se importa de substituir “alfaiate” por outra palavra qualquer?

Além disso, hoje em dia, “estilista” designa um alfaiate gay.

De qualquer forma, fiz este post em directo, no seguimento de troca de comentários com o CC e a ideia era mesmo essa- misturar a coluna com o colunável- como brincou o CC.

Não faço ideia. A palavra stilu também tem origem latina que queria dizer ponteiro com que se escrevia nas tábuas de cera. Daí ser associada a “costume”; pragmática; maneira de escrever, compor, pintar, etc.

Estas coisas são assim. Também vale o mesmo dizer-se caracter ou carácter porque ambos derivam de escrita- no caso da personalidade (carácter) era a escrita na face.

Fiz um post sobre isso, há-de andar por aí.

Obrigado pela lição. Continuarei a utilizar o termo sem “s”.

Estilista vem da palavra grego- stilos que quer dizer coluna.

Chamam-se estilos aos da moda pelo facto dos gregos terem esses cânones artísticos baseados nas tipologias das colunas dos templos.

Portanto, não há erro em dizer de uma maneira ou de outra- a raiz e sentido é o mesmo.

Não é que seja muito imortante, mas eu sempre ouvi dizer “estilitas” e não “estilistas”, que são um bocadinho mais recentes.

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