• «I have chosen these words [i.e. the story of Eutychus, Acts xx. 9] with design, if possible, to disturb some part of this audience of half an hour’s sleep, for the convenience and exercise whereof, this place, at this season of the day, is very much celebrated.»
    Jonathan Swift, Jonathan Swift- “On Sleeping in Church”
William Hogarth, The sleeping congregation, gravura de 1763, a partir de pequena pintura a óleo de 28.

A brincadeira de Hogarth segue as pisadas de Swift, gozando com o torpor que provocavam os sermões anglicanos.
Neste caso o ambiente parece propício a fugas espirituais mais libidinosas.
Enquanto o padre se encosta a uma almofada para ler a passagem de Mateus: “Vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”, a menina adormecida, que estava a ler uma passagem da Bíblia acerca do matrimónio, mostra um decote demasiado apetecível para o clérigo que está a seu lado.

O ambiente de devaneio carnal multiplica-se em cupidos e sátiros que decoram a Igreja e tudo indica que é mais um pretexto para picardias privadas que incluem o seu genro- o pintor Sir James Thornhill, e suas ligações à maçonaria, como o atesta a iconografia do triângulo de luz. Pelo meio a sátira incluiu puritanos e velhas quakers em alusões pouco honestas.

Para mais desenvolvimento, consultar:
Krysmansky, “Lust in Hogarth’s Sleeping Congregation- or how to waste time in Post- Puritan England”, Art History, vol. 21, nº 3, 1998, pp. 393-408

e também:
Austin Dobson,William Hogarth, London, 1891.

Biographical Anecdotes of William Hogarth; with a Catalog of his storks, Chronologically Arranged; and Occasional Remarks. Second Edition, London. Printed for and by J. Nicholik. 1732