Os adeptos do Livre-Espírito eram portadores de uma doutrina social revolucionária. Por alturas do século XIV, certos deles decidiram finalmente que o estado de inocência não poderia corroborar a instituição das propriedade privada. Em 1317, comentava o bispo de Estrasburgo: «Eles acreditam que todas as coisas são comuns e daí concluem que o roubo é para eles perfeitamente legítimo»

O que distinguia os adeptos do Livre-Espírito de todos os outros sectários medievais era, precisamente, o seu amoralismo total. Para eles a prova da salvação era nada saber de consciência ou remorso (…) «Todo aquele que atribui a si mesmo qualquer coisa que faça, e não atribui a Deus, está em ignorância, que é o inferno(…) Nada do que um homem faz é da sua autoria (…) Um homem que possua uma consciência é ele próprio Demónio, inferno e purgatório, atormentado a si mesmo. Mas aquele que é livre em espírito escapa a todas estas coisas»- «Só é pecado o que se pensa ser pecado (…) Eu pertenço à Liberdade da Natureza,e tudo o que a minha natureza deseja eu satisfaço (…) Sou um homem natural»- «O homem livre é capaz de fazer qualquer coisa que lhe dê prazer»

Norman Cohn, Na Senda do Milénio…