Euro2cent disse…

O romantismo é uma das coisas mais perniciosas que aconteceram à civilização ocidental.

O seu desabrochar em pleno coincidiu com o auge dos barões vendedores de sabão, e foi impulsionado por eles à força de anúncios em “veículos” apropriados. Começou pela “Age of the Feuilleton” de que escrevia Herman Hesse e foi por aí fora. Do impresso e teatro ao cinema, rádio e televisão, foi um chorrilho imparável. Com o “folhetim Tide” nacional, ou a “soap opera” americana, os vendedores de sabão lá estavam a impelir a luxúria e concupiscência que lhes faria vender mais produto.

E é assim que temos – somos governados por – uma sofisticada máquina de fabrico de desejos e pensamentos. Ao contrário do que o Orwell pensou, nem é preciso reformular a linguagem para cercear o pensamento possível. É mais ao Huxley – as coisas tornam-se impensáveis porque estão completamente fora do que é aceitável dizer, e interessa à audiência ouvir. Quem se atrever a dizer, por exemplo, que a liberdade não é o mais precioso dos bens é olhado como um perigoso lunático. Se acrescentar que o divórcio é, além de socialmente pernicioso, a pior coisa que aconteceu às mulheres nos últimos séculos, não se safa de ser considerado um mentecapto, mesmo que demonstre que o retorno ao concubinato teve consequências práticas funestas.

Se o “romantismo” está em decadência, é porque a degradação moral já permite chamar os porcos à ração batendo directamente nos tachos sem grandes rodriguinhos. Mas a mensagem fundamental continua – anda cá cevar os instintos, deixa lá as obrigações. E passa o pilim.