Anda por aí meio mundo de peritos e politólogos, muito felizes com esta caridade do FMI e a garantirem que agora é que vai ser. O que é preciso é colaborarmos todos com muito sacrifício.

Pois bem, a treta inclui uma bruta fatia do empréstimo destinado a abono bancário para, depois, os nossos bancos poderem financiar a “economia real”, diz-se.

Sucede que, por sua vez, e para ajudar os “mercados”, o Estado incumbe-se da salvação do bom do lixo tóxico do BPN, em venda acelerada até Junho- com compra pelo Estado da porcaria que lá tem dentro.

E tem muita piada ninguém falar nisto. Porque, o empréstimo caritativo é mais ou menos uma macacada ponzi a inchar em bolha.

Os beneméritos do BCE e FMI vêm cá injectar 12 mil milhões de peidos que o Estado se encarrega, por sua vez, de seringar nos bancos que já não têm liquidez, para que depois estes possam voltar a emprestar ao mesmo Estado. Ficando o nosso Estado com dívida a dobrar, para pagar o inteligente empréstimo aos intermediários, em exigência dos ditos “mercados europeus”.

Uma “bernankice” de falsa recapitalização bancária que apenas serve para o Estado ficar com duplo encargo de dívida ao FMI e à banca e ainda a pagá-la com juros.

Parece que se costuma chamar a isto um simulacro financeiro, com venda de Dívida Pública.

Neste caso, para tentar cobrir juros de dívida acumulada.

Este fenómeno, fruto de engenharias tão engraçadas, tem até um nome apropriado à tolice geral em que caímos- uma boa de uma Debt Trap.
Desta vez, com a peculiaridade de serem os ratos e as ratazanas de grande porte a armadilha-la para os patinhos.

Resumindo, como Portugal não pode sozinho fabricar dinheiro do ar, vem o FMI fazê-lo pelo Estado. No fim, quem paga os juros do fantástico resultado da geração das couves a partir do nada, só podem ser os contribuintes.

Pode confirmar aqui

Banco Português de Negócios

2.10. The authorities are launching a process to sell Banco Português de Negócios (BPN) on an accelerated schedule and without a minimum price. To this end, a new plan is submitted to the EC for approval under competition rules. The target is to find a buyer
by the end of July 2011 at the latest.

2.11. To facilitate the sale, the 3 existing special purpose vehicles holding its non-performing and non-core assets have been separated from BPN, and more assets could be transferred into these vehicles as part of the negotiations with prospective buyers. BPN is also launching another program of more ambitious cost cutting measures with a view to increase its attractiveness to investors

2.12. Once a solution has been found, CGD’s state guaranteed claims on BPN and all related special purpose vehicles will be taken over by the state according to a timetable to be defined at that time.

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Acrescento por troca de comentários com um tal Wegie.

E nem tinha visto que a abertura de época de saldos inclui a venda da TAP, REN e EDP no tempo relâmpago de 7 meses, com o apetite da Bismerka ainda a fazer-se ao ouro que resta.

……………
Novo acrescento: 9/5:

Ora bem, pelos vistos é preciso ser o Financial Times a dizer o que por cá ninguém se atreve por causa do “respeitinho”, ou da “campanhazinha”, ou do raio que os parta.

Este acordo com a Troika (um arresto que inclui até apropriarem-se de património e riquezas naturais, caso não seja cumprido) foi assinado por quem devia estar atrás das grades e é um saque que vai dar longa recessão para os portugueses.

Ou seja, a dívida devia ser considerada ilegítima. Por que não se trata de cobrar caridade ou de ajudas para relançamento da nossa economia, mas de juros a serem pagos pelos portugueses, por vigarices de irresponsáveis à solta, com uma justiça cativa do Poder político-partidário.

«José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession»..
Via Portadaloja
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Em vez de andarem para aí com troca de arrufos em vídeos patriotas Islândia/Portugal; Portugal/Islândia (o que por si só apenas prova que a UE é mentira e nunca existiu nem existirá um patriotismo comum); mais valia uma rábula, tendo por interlocutores a ciganagem interna que pilha e os agiotas de fora que cobram.
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Novo acrescento, enquanto assobiam para o ar ou saltitam de excitação com as consequências da desgraça:
-mais outros a dizerem o mesmo: «The official wisdom is that Greece, Ireland and Portugal have been hit by a liquidity crisis, so they needed a momentary infusion of capital, after which everything would return to normal. But this official version is a lie, one that takes the ordinary people of Europe for idiots. They deserve better from politics and their leaders (…)the money did not go to help indebted economies. It flowed through the European Central Bank and recipient states to the coffers of big banks and investment funds.»
Via Portadaloja.

zazie & musaranho coxo

De nada, Ccz. Eu costumo lá ir mas não comento. Gostei da conversa.

Obrigado pela visita. Já deixei resposta.

Beijocas, maluco,

Olha uma coisa, tu usas algum browser decente? é que isto vê-se perfeitamente com o Opera ou Firefox

Não sei, nem quero saber, o que fazes ao teu Cocanha, Zazie. Mas o certo é que tenho uma dificuldade do caraças de deixar a minha opinião na caixa dos comentários.

Às duas por três já me perdi, de tanto click que um gajo sem muita paciência como eu tem de arranjar maneira de dizer que estive cá.

Simplica essa treta, miúda. Fosca-se.

Onde é a gente ia…? Ah! a Economia e os seus subtratos paralelos. Pois. A malta sabe que a coisa não está nos seus ajustes. O que me faz confusão é como estes tipos das manobras e outras engenharias não são engaiolados ou mortos.

Vai continuando a dizer de tua justiça. Cá virei de quando em vez para mais um apocalipse de clicagens.

Pois é isso mesmo, Wegie. Só não linkei porque não gosto de ser indiscreta.

Zazie,

Agradeço a amável referência imerecida.

Sobre o “bernankismo” recordo o que Bernanke, quando já era membro do Fed, disse um dia numa homenagem a Milton Friedman e Anna Schwartz, com eles presentes: “You’re right, we [the Federal Reserve] did it [the Great Depression]. We’re very sorry. But thanks to you, we won’t do it again.” É isso precisamente que ele e os seus comparsas do BCE estão a fazer agora.

Num Estado de Direito, com os responsáveis atrás das grades, a dívida podia ser considerada ilegítima.

Como não temos uma justiça independente, só quando correrem com os correligionários dos bandidos se pode fazer o que quer que seja.

De todo o modo, fique lá no poleiro quem fique, a dívida de certeza que já está na fase armadilhada e vai ter se ser renegociada se houver mesmo empréstimo.

Fora isso não sei. Não sou política. Apenas me faz impressão também não existirem coveiros para enterrarem este pseudo-regime podre.

Excelente texto. Simples e objectivo. Mas eu, que não sei ler nem escrever, permito-me questionar: Cadê alternativas? Sair do euro, ou matar o pai?

Então andas para aí a brincar com a maquineta na cubata em vez de escreveres como as pessoas normais…

ahjahahahaha

Olha uma coisa- eu não sei quem pediu a quem. Porque, a verdade, é que os gastos e buracos e vigarices são do governo e hão-de ter usado os bancos para isso.

No caso do BPN é pior, porque ainda apararam e nem por justiça vomitam e contam o que fizeram ao dinheiro e com quem.

Portanto, acho que estamos tramados com saque legal no qual até somos filiados- o do FMI e com o ilegal, no qual vota a maioria dos portugueses.

Beijoquinhas.
Mas o que me andava a encanitar é que este empréstimo era uma desalavancagem ou até uma ajuda para depois financiarem a economia. É que isso é achar que somos todos palhaços.

Olá zazie.
Vejamos:
1. Os bancos portugueses estavam sem acesso aos mercados pelo facto do risco do pais ser elevado.
2. O BCE foi ajudando os bancos no ultimo ano.
3. O BCE emprestou dinheiro aos bancos num volume acima das necessidades reais. Esse excesso sérviu para os bancos especularem com a divida publica portuguesa. Obtinham massaroca a uma coroa e aplicavam em títulos do tesouro a sete coroas, convencidos que estavam a fazer um excelente negocio.
4. Nunca pensaram que os mercados fossem tão agressivos para Portugal de molde a considerar o risco do pais ao nível do lixo. Achavam que, meia volta, a coisa endireitar-se-ia.
5. Colocado o risco pais ao nível do lixo, praticamente a banca só consegui financiar as suas operações recorrendo ao mercado interno, emitindo obrigações perpetuas, e ao BCE.
6. O BCE declarou que iria retirar a prazo o apoio que ate então vinha a fazer aos bancos.
7. Os bancos tiveram um ataque de pânico. Recorrer aos mercados estava fora de questão, o mercado interno não teria dimensão para as Ne saudades e o BCE ameaçava cortar o apoio.
8. Vai dai, reuniram-se e pressionaram o governo, dizendo que não tinham liquidez para continuar a apoiar a economia privada, das empresas publicas e do próprio estado. E obrigaram js a pedir ajuda ao FMI.
9. Estou convencido que os 12 m milhoes e’ o valor equivalente ao que eles pediram a mais anteriormente ao BCE para investir em títulos do tesouro português, por mera especulação.

Ps. Esta merda do iPad não tem setas para ir para baixo e como vim para cima carregando com o dedo no texto não sei o que escrevi abaixo. Pqp, vou publicar a ver o que sai.
10. Sendo assim,
5.

Pois é Paulo. Mas é bem pior: isto é venda de Portugal em saldos com acordo para ficar fantoche a fazer de PM de um governo que nem é nosso.

Beijocas

E eu estou à espera que alguém explique isto. E nem entendo como ninguém fala pois se até eu, que sou mais é bolos, topei, é mais que óbvio que os economistas e financeiros, da ribalta e da política, sabem-no.

Enfim, quanto ao BPN, o que é barato sai(-nos) caro.

Joquinhas, Querida Zaz

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