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O meu conservador de estimação- irreverente, inteligente e a quem tenho a agradecer os bons dos carnavais del Pueblo e de Notting Hill.

Ia sempre ao palco no fim, era vaiado, de acordo com a tradição de vaiar os organizadores do que é bom, mas um grande mayor. Espero que quanto ao resto siga em frente e faça a limpeza necessária e o manguito aos politicamente correctos das “humanidades de leis” e tribunais de imbecis.

A minha costeleta londrina agradece para contrabalançar os prejuízos económicos deste risco.

(r.)

Os coelhos sempre foram pouco católicos, dada aquela mania luxuriosa de passarem o tempo. Por isso, quando aparecem agarrados às amêndoas e aos ovinhos da Páscoa, é só consumismo pagão mal adaptado.
Isto porque os verdadeiros coelhos da Páscoa eram lebres, cuja simbologia tendia para extremos. Tanto ultrapassam a luxúria coelhorum (na Idade Média dizia-se que até emprenhavam grávidas) como apareciam como “santas criaturas”.
Os bestiários medievais incluem as lebres entre os seres tímidos e tão tementes a Deus que preferem entregar a sorte à Providência do que confiar nos seus empreendimentos. Como também existia a lenda que algumas lebres podiam conceber sem necessitarem do macho, chegaram a ser associadas à Virgem Maria.

Quanto ao hábito da oferta das guloseimas leporinas nesta quadra, deriva dos ritos gregos da Primavera, associados à renovação cíclica da fertilidade.
Durante os festins campestres acreditava-se que todo o homem que comesse uma boa lebre adquiria o invejado vigor lúbrico do animal. Ao longo de nove dias e nove noites consecutivas, podia prová-las- às lebres e não só-,banqueteando-se em façanhas idênticas com as da sua espécie.

Esta lebre “comida” transitou para o catolicismo no sentido casto de oferenda, tornando-se símbolo de uma Eucaristia consagrada.

Aqui ficam dois exemplos da simbologia cristã das lebres, em igrejas da velha Albion:

Uma ilustração dos Salmos(104:18)- «As altas colinas são refúgio para os ouriços-cacheiros e os rochedos para as lebres».
cadeiral de Bishop Wilton, E. R. Yorks
David e Golias com duas lebres a espreitarem por cima do chefe dos filisteus- David, associado a Cristo; Golias ao Demónio. David salvou o exércio israelita- “Cristo, tal como os rochedos é o nosso refúgio”- cadeiral de Bishop Wilton, E. R. Yorks
cadeiral de Reepham, Norfolk,

Uma leporina suplicante, sentada num separador dorsal das cadeiras de coro de Reepham (Norfolk).

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Clark, Willen B. & McMunn, Meradith T., Bests & birds of the Middle Ages, Philadelphia, 1989- cfr: Tisdall, M. W., God’s Beasts, Charlesfort Press, Plymouth, 1998